Windows Live Messenger + Facebook

domingo, 8 de abril de 2012

São Pedro Da Aldeia



De Aldeia de São Pedro a bucólica São Pedro da Aldeia
Por Francisco Cantarelli
Fontes: Serafim Leite, S.J, Alberto Lamego, PUC-Rio, Geraldo Luiz Ferreira
A história de São Pedro da Aldeia, a ser apresentada com o rigor de exatidão, é necessário remontar aos primórdios da formação nacional e com isto, em certos momentos, percorrer os meandros em dados imprecisos ou ciladas de fatos controversos, entretanto o que se apresenta neste breve histórico é o que de mais próximo descreve a saga da terra Aldeense.
Assinando a carta régia de 06 de outubro de 1534, D. João III, retoma a Lei das Sesmarias de 1374, e determina o incentivo ao povoamento do Brasil na divisão de capitanias hereditárias.
Em 1537, o Papa Paulo III assina a Bula Veritas Ipsa, assegurando a “liberdade dos índios”, confirmando o propósito da igreja e da coroa Portuguesa num povoamento eficaz e uma relação sem agressividade com os nativos. Todavia, essas decisões não surtiram os resultados que se almejavam.
O ano de 1540 é o marco relevante que viria impor-se aos destinos de nossa terra, mais uma vez o Papa Paulo III intercede na história ao assinar no dia 27 de setembro a Bula Regimini Ecclesiae Militantis, dando vida oficial a Companhia de Jesus, fundada por Santo Ignácio de Loyola (1491 – 1556).
Fulcrado no regimento de 17 de dezembro de 1548 D. João III valendo-se da estrutura militarizante e unitária da Companhia de Jesus, centraliza a política colonial no governo geral, segue Tomé de Souza no comando de uma expedição de mil pessoas. Entre tantas, seis Jesuítas chefiados pelo Pe. Manoel da Nóbrega, o primeiro provincial do Brasil. Tomé de Souza, ao chegar em terra, funda em 29 de março de 1549, a real cidade de São Salvador, na capitania da Bahia de todos os santos.
No Rio de Janeiro, fundado no ano de 1565, em uma ação de guerra contra os invasores franceses apoiados na confederação dos tamoios, cuja base se encontrava no dito Cabo Frio, foi erguido o Colégio dos Padres Jesuítas em construção datada de 1573 a 1579.
Permanece em grande escala a exploração do pau-brasil pelos franceses junto com os aliados tamoios no litoral do Cabo-Frio. Dessa forma, medida extrema tomou o governador do Rio de Janeiro Antonio Salema, que em 25 de setembro de 1575 dizimou os tamoios das terras do precioso Cabo.
Os anos passam, morre o rei D. Sebastião (24 anos, solteiro) em 4 de agosto de 1578 na Batalha de Alcácer-Quibir (Marrocos) numa acendrada devoção em fundar um reino cristão na terra dos mouros (árabes). Nessa circunstância, Felipe II da Espanha reivindica ao Papa Gregório XII a coroa de Portugal por ser neto de D. Manoel, “o venturoso”, rei do descobrimento do Brasil, (sua mãe Dª Isabel era filha do rei português). O Papa concede, e assim está formada a união ibérica (reino de Espanha e Portugal unificados 1580 – 1640).
Os inimigos da coroa de Felipe II: Holandeses, Ingleses e Franceses investem em nosso litoral em busca do pau-brasil, de grande valia à “indústria” da época, sobretudo ao tingimento de vestes. Em 1615 já expulsos os Franceses e Holandeses do Cabo Frio, o governador do Rio de Janeiro Constantino de Meneláu empreende a investida de expulsão dos invasores Ingleses. No dia 13 de novembro estabelece um povoamento com a invocação de Santa Helena do Cabo Frio e se apodera da dita casa de pedra deixada pelos Franceses, guarnecendo-a com sete peças de artilharia em bronze, transformando-a na fortaleza de Santo Ignácio no morro do Arpoador.
1616 – por interferência de Constantino Meneláu é nomeado capitão mor do Cabo Frio, Estevam Gomes, proprietário de engenhos de açúcar no Rio de Janeiro. As conclusões de Martin de Sá, experiente conhecedor e responsável pela guarda do litoral sudeste do Brasil, impunham por precaução da defesa e integridade do território do dito Cabo Frio, a fundação de uma cidade e como apoio duas aldeias de índios – uma no rio de Macaé com índios da Aldeia de São Lourenço (Niterói), outra no rio Peruípe, baía formosa que banha a ponta dos Búzios, índios da Aldeia de São Barnabé (Porto das Caixas – Itaboraí) e em ambas Aldeias “para que os índios se conservem, religiosos da Companhia de Jesus”. Dessa forma, remete a coroa portuguesa (apesar do domínio espanhol Lisboa detinha a interdependência para assuntos da colônia) carta rogando as ordens régias às medidas de proteção ao Cabo Frio, segundo ele, seria vexatório chegar à Europa notícias de que uma fortaleza da coroa de Portugal tivesse sido apoderada por piratas ou corsários inimigos do Reino Ibérico. A coroa portuguesa expressa sua autorização, determinando o colégio da companhia de Jesus do Rio de Janeiro, a missão de implantar as aldeias de proteção ao dito Cabo Frio.
1616 – Pe. João Lobato, superior da Aldeia de São Barnabé (Porto das Caixas – Itaboraí), sendo indicado pelo Colégio do Rio de Janeiro, estudou os locais e definiu ser impraticável, por não haver nas duas Aldeias índios suficientes. Opinou pelas terras de Jucuruna / Jacuruna (São Pedro da Aldeia), e os matos da ponta do Búzios – vindo os índios da Aldeia de Reritiba (Anchieta) Espírito Santo.
1616 – Estevam Gomes funda então a cidade de N. Sª da Assunção do Cabo Frio, agora com o seu povoamento localizado no que se chama hoje o bairro da Passagem, transfere a fortaleza do morro do Arpoador para a extremidade mais ao sul da barra, iniciando a construção de um novo forte (concluído em 1620) denominado sob a invocação de São Mateus.
1617 – o reitor do colégio da Companhia de Jesus do Rio de Janeiro, Pe. Antonio de Matos requereu no dia 13 de maio de 1617 junto ao capitão mor de Cabo Frio, Estevam Gomes, a sesmaria para os índios se assentarem nas ditas aldeias de proteção ao forte São Mateus. A data do despacho do capitão se deu no derradeiro de maio (dia 31) – historicamente confundido mais tarde, em leitura do documento original como dezesseis (tornando-se então para os aldeenses, hoje em dia, a data em que se comemora a fundação da Aldeia). Em 5 de junho é oficializado o termo de posse aos Jesuítas e no dia dezesseis de junho o reitor Pe. Antonio de Matos recebe a carta de sesmaria.
São enviados ao Cabo Frio, 500 índios da Aldeia de Reritiba (ES) e a presença do Pe. João Lobato (superior da Aldeia de São Barnabé), ele funda a Aldeia de São Pedro do Cabo Frio (provavelmente no dia consagrado ao santo, primeiro dos Papas) em 29 de junho, com a terça parte das terras pertencendo a Companhia de Jesus e da mesma forma a seguir, a Aldeia da ponta dos Búzios, uma extensão de posse dos índios e Padres da Aldeia de São Pedro.
1619 – Chegada dos Padres André de Almeida (superior da Aldeia de Reritiba), Pero da Mota e João de Almeida. É muito provável que o estilo de construção da igreja da Missão de São Pedro, seja de responsabilidade do Pe. André, tendo em vista a sua semelhança com a igreja de N. Sª da Assunção da Aldeia de Reritiba, e talvez no ano de 1619 esteja o início de sua construção.
1630 – 1º de agosto, o Governador Martins Corrêa de Sá concede aos padres da Aldeia de São Pedro, uma outra sesmaria nos campos de Macaé para a costa e para as bandas meridionais alcançando Tabecus – rio Leripe ou Seripe (Rio das Ostras) por requerimento do padre Francisco Fernandes, então reitor do Colégio do Rio de Janeiro. A posse se deu em 20 de novembro, a fazenda de Macaé serviu para repouso de rebanhos, vindos do Cabo Frio e Campos dos Goitacases para em seguida serem despachados para o Rio de Janeiro por via marítima.
1648 – É concedida aos índios e padres da Aldeia de São Pedro uma outra sesmaria que viria abrigar a fazenda de Santo Ignácio dos Campos Novos (por já existir a fazenda dos Campos dos Goitacases). Ergue-se a igreja com a invocação ao fundador da Cia de Jesus e um pequeno cemitério. A dita fazenda tornou-se um entreposto de abastecimento de gado bovino, suíno, víveres, hortaliças, mandiocas e madeira para o colégio do Rio de Janeiro.
Com o passar do tempo, a Aldeia de São Pedro prosperou, tornando-se a maior e mais populosa de todas da Companhia de Jesus no Rio de Janeiro. Em 1759, graças a uma campanha feroz do Marquês de Pombal, ministro para assuntos do estrangeiro e da guerra do rei de Portugal D. José I, os jesuítas são expulsos dos domínios portugueses e suas possessões.
1759 – Em novembro deste ano, o desembargador João Cardoso de Azevedo realizou o seqüestro da Aldeia e aprisionou os três jesuítas que exerciam o sacerdócio e conversão dos gentios. O poder de doutrina e administração do povoado foi entregue aos padres capuchos da província da Conceição.
1795 – No dia 22 de dezembro, a Aldeia de São Pedro é elevada a categoria de freguesia e seu primeiro pároco Manoel de Almeida Barreto. Surge a migração dos brancos. Fato relevante ocorrido em fins de 1795, diz respeito a exploração do sal pelos habitantes desde a cidade do Cabo Frio até a extensão da Lagoa Araruama, contrariando a proibição do reino. A comercialização do sal era um privilégio da metrópole, ou seja, um monopólio régio. Em 1797 destaca-se a salina dos índios de São Pedro, “– num lugar denominado Apicuz, formada em terra firme e beneficiada em termos, deu o sal tão puro como um cristal e nenhum grão se desperdiçou”.
1815 – 1819 – Viajantes historiadores percorrem a freguesia de São Pedro, dentre eles o príncipe Maximiliano de Wied-Neuvied, Auguste de Saint-Helaire – francês, Thedor Von Leithold e Ludwig Von Rango – prussianos.
1840 – Os brancos da Aldeia fundam a Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento, responsável pela construção do cemitério, agregado à quadra do partido da planta da igreja dos jesuítas, conhecido como o cemitério da Irmandade (1850 – 1890) e em seguida construiu a nova igreja, à frente da missioneira, concluída em 1887, hoje com a invocação do Sagrado Coração de Jesus.
1847 – Em 24 de abril o imperador D. Pedro II, visitou a cidade do Cabo Frio, tendo sido homenageado na Câmara Municipal, dentre os nove vereadores quatro eram da freguesia de São Pedro, foram eles: Joaquim Marques da Cruz (presidente interino), Pedro Luiz de Souza, Manoel José Gomes Pereira de Macedo e Antonio Francisco dos Santos. Em 26 de abril o imperador visitou a freguesia da Aldeia de São Pedro, sendo homenageado no almoço de recepção na residência do ilustre cidadão Manoel de Souza Teixeira.
1868 – No dia 10 de julho a freguesia foi visitada pelos príncipes imperiais Izabel e Gaston d’Orleans, respectivamente princesa Izabel e Conde d’Eu, foram hospedados na residência da família Feliciano Gonçalves Negreiros – “a casa dos azulejos” (única na Região dos Lagos a revelar em sua fachada a arte da azulejaria portuguesa de influência moura). Assinam no livro da Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento, como membros e augustos protetores. Registro exclusivo e oficial da visita de suas altezas.
1890 – A primeira emancipação da freguesia da Aldeia de São Pedro, se deu através do decreto nº 118 de 10 de setembro de 1890, assinado pelo governador Dr. Francisco Portella, com a denominação vila de Sapiatiba, desanexada do território de Cabo Frio.
1891 – Em 11 de dezembro houve a renúncia do governador Portella, assumindo por quase cinco meses como interventor do Estado do Rio de Janeiro o Contra-Almirante Carlos Balthazar da Silveira e como um dos seus primeiros atos, revogou a emancipação de vários municípios criados após 15 de novembro de 1889, no governo do Dr. Portella através do dec. nº 01 de 08 de maio de 1892, entre eles o município de Sapiatiba. Concluído o período de interventoria do C.A. Carlos Balthazar da Silveira, é eleito Dr. José Tomás da Porciúncula, médico e político Petropolitano que através do dec. nº 35 de 17 de novembro de 1892, restaura a autonomia do município, agora com nome de São Pedro da Aldeia. No dia 22 de janeiro de 1893 ocorreram as eleições para vereadores gerais, vereador distrital e juiz de paz. E’ m 01 de fevereiro de 1893, houve a sessão preparatória para verificação de poderes dos eleitos. Em 04 de fevereiro de 1893 é instalado o município em sessão solene no prédio da Câmara Municipal, com a posse dos eleitos, presentes – Vereadores gerais: Antônio Homem Cardozo Motta, Antônio José Martins, Affonso Machado Teixeira de Souza, Eugênio Rodrigues Vieira e João José dos Santos Jotta, faltando os vereadores gerais José Alves Vieira Bittencourt e Felipe Lopes Pinheiro. Ocupou a cadeira da presidência o vereador Cardozo Motta. Ocorrendo em seguida a posse do vereador districtal – Francisco José dos Santos e para Juiz de Paz capitão José Antônio da Costa
1929 – Em 27 de dezembro com a lei Estadual nº 2235 é adquirida a categoria de foros de cidade, em 14 de outubro de 1957 foi criada a comarca.
1956 – O decreto da Presidência da República nº 39411 de 15 de junho de 1956, assinado por Juscelino Kubitschek de Oliveira, desapropriando área de terra onde seria implantado o Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval, foi mais tarde complementado pelo dec. nº 43.923 de 23 de junho de 1958, ampliando a área do complexo da Marinha de Guerra do Brasil. Posteriormente a Presidência da República representada pelo marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, através do dec. presidencial nº 58.378 de 10 de maio de 1966, fez criar a Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia – BAeNSPA.
Concebida em 1617 sob a égide da nobre missão de defender a integridade do território nacional e lutar contra os corsários inimigos que invadiam o litoral pátrio, tentando subtrair as nossas riquezas; a terra da Aldeia da missão de São Pedro do Cabo Frio alcandorada pelos jesuítas, ainda nos dias de hoje cumpre honrosamente o posto de guardiã do território nacional, abrigando a única Base Aérea Naval e o comando da Força Aeronaval das unidades da Marinha de Guerra do Brasil. Assim, hoje como no passado, ostenta São Pedro da Aldeia o orgulho de ser tão brasileira.
ALDEIAS CONTEMPORÂNEAS DO RIO DE JANEIRO
FUNDADAS PELA CIA DE JESUS
Aldeia de São Lourenço (Niterói) 1568 e
Fazenda do Saco São Francisco Xavier
Aldeia de São Barnabé (P. das Caixas – Itaboraí) 1579 e
Fazenda de Macacu e Papucaia
Aldeia de São Pedro do Cabo Frio 1617
Aldeia de São Francisco Xavier no Itinga e Itaguaí 1627
FAZENDAS CONTEMPORÂNEAS DO RIO DE JANEIRO
FUNDADAS PELA CIA DE JESUS
Fazenda de Santa Cruz 1596
Fazenda de Macaé 1630
Fazenda de N.S.Conceição e Santo Ignácio do colégio (RJ) de Campos dos Goitacases 1648
Fazenda de Santo Ignácio de Campos Novos 1648
Os primeiros passos da Região e de São Pedro da Aldeia
Por Geraldo Luis Ferreira
Reconquistada a terra, e fundada a cidade, as autoridades logo chegaram a conclusão de que para salvaguardá la de futuros ataques, era imperativo defendê-la e ampará-la com um aldeamento indígena. O qual deveria respeitar as diretrizes apontadas por Martim de Sá, filho do Capitão Salvador Correia de Sá, o qual tinha larga experiência dos problemas brasileiros, e mantinha informado por cartas o Rei de Portugal.
Em resposta aos escritos de Martim de Sá, uma carta de 20 de abril de 1617, o Rei o determina que ele deve superintender e efetivar estes aldeamentos. Em cumprindo as determinações da Coroa, e como uma das estratégias, Martim adotou para início de colonização, instituir o serviço militar para os índios, uma crítica ao sistema defensivo anteriormente adotado na região e uma proposta de apoio logístico para o primeiro ano de instalação da aldeia.
Em 1617, um requerimento do Padre Antônio de Mattos, da Companhia de Jesus ao então Capitão-mor de Cabo Frio, Estevam Gomes, chama a sua atenção para o fato de que o Rei de Portugal estava preocupado com a defesa da área sob sua jurisdição direta, motivada esta preocupação pelos constantes ataques que vinha sofrendo, da parte de piratas franceses. A capitania de Cabo Frio, foi fundada em 1615, como resultado de uma ação guerreira de Constantino de Menelau, Capitão -Mor do Rio de Janeiro, contra os piratas franceses, que lutavam para estabelecer-se em definitivo nesta região.
“…Lembro mais que se deve desfazer de todo um forte que ora se faz no Cabo Frio, porque não é de nenhum efeito, antes com muita facilidade o pode tomar qualquer nau de inimigos, e não sendo nenhuma coisa correrá a fama que tomaram um forte de grande importância na Costa do Brasil, e se uma aldeia ali se puser com uma cabeça de gentio e com a minha assistência, se poderá defender a desembarcação aos inimigos, e escusarem-se cinco ou seis mil cruzados que custa, a cada ano, à Fazenda de Vossa Majestade; sustentar-se o dito forte sem ser de nenhum efeito, e toda informação que se der a Vossa Majestade, de haver o dito forte naquela parte, é errada, por não a dar quem tem notícia e experiência daquelas partes …”
Para os primeiros historiadores, a data de fundação da Aldeia de São Pedro de Cabo Frio, não constitui um ponto pacífico. Entretanto Silva Lisboa, Alberto Lamego e o Padre Serafim Leite, concordam em que a data de 31 de maio ( retirado do texto …”derradeiro de maio”. ) seria o dia exato do despacho do Capitão-Mor de Cabo Frio, Estevam Gomes, ao requerimento que lhe fora interposto, pelo Padre Antônio de Mattos, Reitor do Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro.
A carta da sesmaria foi passada em 2 de junho seguinte e a posse verificou-se no dia 16 do dito mês. As terras que seriam concedidas aos índios, ficaram em sua terça parte na posse dos padres da Companhia. Elas abrangiam duas sesmarias, uma em lugar determinado – JACURUNA -; provavelmente o primeiro nome da região onde hoje se situa SÃO PEDRO DA ALDEIA, e cujo nome vem do JACU, ave de cor preta comum na região. A outra região escolhida seria na Ponta de Búzios ou em Iguna, onde se lê: “… sendo que a rejeitada, seria repartida pelo povo, o que nunca se fez …“, conforme Lamego, em A Terra Goytacáz.
A aldeia em breve, começou a atrair várias tribos de indígenas que viviam dispersos na região, que para ela vinham em busca de alimentos, ou de proteção contra os índios Goitacases. Este fluxo constante de novos contingentes humanos trouxe uma rápida prosperidade à Aldeia, justificando a solicitação de nova sesmaria, para os padres da Companhia e para os índios. Em 1630, pois ” eles e Goitacases têm necessidade de pastagens que possa trazer o gado, do qual se valham para seus remédios para cuidarem com o que falta à sua igreja, para a qual não se dá coisa alguma da Fazenda de Sua Majestade…”
Nestas terras, doadas pelo Capitão-Mor Governador, Martim de Sá, jesuítas e índios da Aldeia de São Pedro, construíram a fazenda de Santo Inácio dos Campos Novos, localizada pouco antes da cidade de Barra de São João.
Para se ter uma idéia do crescimento da aldeia, em 1689, a Aldeia de São Pedro de Cabo Frio, tinha três vezes a população de Niterói.
Assustados pela fome e pelas guerras, muitos índios pertenciam ao temido povo dos Goitacases. Uma carta de 1620, dá os pormenores de sua catequese:
“…Desejo, e ei de por todas as minhas forças para fazer as pazes entre estas nações tão bárbaras, como são os gequirtos e os aitacases guaçus, porque feito isto, fica todo este sertão em paz, e será uma coisa que há muito tempo desejamos. Mas agora pela vontade e bondade de Deus, parece que lhe vem chegando sua hora. E que Deus, por sua misericórdia, mantê-los em seu curral …”
Ainda em 1648, os índios Gessaruçus viriam aumentar ainda mais este contingente. Esta tribo, também chamada de Guarulhos, chegou a São Pedro vindo de suas terras que ficavam além da Serra dos Órgãos, nas margens do Piabanha e do Paraíba.
A data efetiva da fundação desta aldeia de São Pedro pode ser deduzida se seguirmos a conclusão de Geraldo Luiz Ferreira, nosso historiador nato, que mergulhou de corpo e alma na história aldeense: “…Pelo patrono tomou, pela proximidade da data da posse (16 de junho ) com a data em que se comemora a figura impar do primeiro dos Papas, e pelo consagrado costume de encomendar as aldeias e vilas aos santos correspondentes ao dia da sua fundação, sou levado a crer que a Aldeia de São Pedro do Cabo Frio, teve vivência histórica a partir de 29 de junho de 1617”.
Em meados do século XVII, apenas três décadas após a instalação dos Jesuítas na Capitânia de Cabo Frio, o crescimento, o aumento da área de influência, principalmente indígena, vital para economia de Cabo Frio, começou a despertar reclamações e pleitos por parte das Camara e Capitães-Mor desta cidade. Um novo capítulo estava para ser escrito na História aldeense.
Criação do Município
Por Geraldo Luis Ferreira
Em 1815, de passagem pela aldeia, o Príncipe Maximiliano deixaria a seguinte descrição:
“São Pedro dos Índios é uma aldeia indígena que os jesuítas parecem ter primeiramente formado com os goitacases. Há, aqui, como era de se esperar, uma bonita igreja, além de várias residências, que são simples casebres de barro, todas elas, com a maior parte das habitações, esparsas pelas cercanias, ocupadas pelos índios. Tinham estes um capitão-mor (equivalente ao alcaide) de sua própria raça, mas que não possuía nenhum privilégio além do título.
Há poucos portugueses, quase todos os indígenas têm a estampa genuína da raça, com algumas características. As roupas e a linguagem eram as das classes baixas portuguesas, e somente em parte, conservavam o conhecimento da linguagem original. Tinham a pretensão de se fazerem passar por portugueses e olhavam com desprezo os irmãos ainda selvagens”.
A passagem de Maximiliano abre uma etapa onde a visita de cientistas e naturalistas ou simples aventureiros europeus tornou-se comum. Um deles, Saint Hilaire, chamou a atenção para o futuro destas populações:
“…todo o índio pode ceder seus campos a um homem branco; mas as terras da aldeia, sendo consideradas como inalienáveis, o branco não pode restituir ao indígena; ele indeniza-lhe apenas o valor das plantações. Apenas observei que se não se modificar o regulamento atualmente em vigor, e se deixar persistir os odiosos abusos aí introduzidos, o território dos índios, por inalienáveis que seja, passará aos poucos, às mãos brancas. Estes, sem dúvida, serão somente locatários, mas o Estado ou seus prepostos, tornar-se-ão os verdadeiros beneficiados, não restando aos aborígenes senão a propriedade nominal . . .
. . .Muitos brancos, atraídos pela fecundidade das terras da aldeia e pela taxa moderada pela qual se pode obtê-la, vieram estabelecer se em São Pedro, ocasionando não somente uniões passageiras, como também casamentos, que alteram a raça indígena”
Muitos outros viajantes deixaram suas impressões sobre a terra aldeense. Saint Hílaire previu com desenvoltura o futuro dos índios, aos poucos submetidos e liquidados em sua cultura autóctone.
Basta lembrar, que até o século XIX, a Aldeia de São Pedro era uma reserva indigena, cujas terras pertenciam aos índios, e eram por eles administrados. Os índios por sua vez eram tutelados por uma conservatória, através de um Juiz de Órfãos e dos índios. Os poucos brancos que habitavam nas terras do aldeia pagavam foro à Conservatória.
Os brancos, através do instituto do aforamento, foram gradualmente se infiltrando nas terras da aldeia, e iniciando uma exploração de braço escravo, a mão-de-obra negra chegava a São Pedro, principalmente com a cultura do café. Data desta época a construção das primeiras casas de residência e fazenda, feitas com óleo de baleia, pedra e cal.
Um dos exemplos desta arquitetura é a famosa Casa de Azulejos, próxima à praça principal, erguida em 1847, pelo fazendeiro Feliciano Gonçalves Negreiros, e para a sorte da população aldeense, até hoje conservada, atualmente na propriedade da Sra. Maria dos Anjos Pinheiro dos Santos.
Em 2 de fevereiro de 1840, os brancos de São Pedro fundam a Irmandade do Santíssimo Sacramento, responsável pela construção do cemitério da Irmandade e também pela construção da nova igreja, na frente da antiga e simplória igreja dos jesuítas. O motivo principal desta construção foi que o homem branco do século XIX, voltado para a cultura européia, decidiu substituir a tosca e simples igreja dos índios por um templo mais de acordo com os “padrões do século”. Quando de passagem pela região, em lO de julho de 1865, a Princesa Isabel e o Conde D’Eu, seu marido, passaram a fazer parte da Venerável Irmandade.
Somente após a extinção da Conservatória dos índios é que foi possível aos brancos adquirirem a propriedade das terras. A esta época, por outro lado, os índios da aldeia já tinham sido totalmente aculturados, se miscigenando com os brancos.
Foi preciso que decorresse quase um século da criação da Freguesia, que se passassem alguns anos de extinção da Conservatória dos índios, e que se chegasse á república, para que a Aldeia de São Pedro do Cabo Frio ganhasse autonomia administrativo, e se separasse de Cabo Frio.
Pelo Decreto nº 118, de lO de setembro de 1890, foi criada a Vila de Sapiatiba (abundante em sapé, conforme o Tupi), com sede na Freguesia da Aldeia de São Pedro, abrangendo os seus limites. O Município de Sapiatiba foi desanexado de Cabo Frio, ainda que permanecesse fazendo parte da comarca do mesmo. O decreto foi assinado pelo então governador do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portella.
Quase dois anos depois, pelo Decreto nº 1, de 28 de maio de 1892, o então presidente do Estado do Rio de janeiro, José Thomaz da Porciúncula, declarou extinto o município de Sapiatiba, voltando a integrar o de Cabo Frio. Para esta medida, ele alegou que a vila não tinha a população necessária (10 mil habitantes) para ser independente.
A situação econômica, social e política dos habitantes da Freguesia da Aldeia de São Pedro não podia aceitar passivamente essa regressão política e administrativa, e suas reivindicações justas e clamorosas, resultaram na Lei nº 35, de 17 de dezembro de 1892, que restaurou o Município de Sapiatiba, atribuindo-lhe desta vez, o histórico e antigo nome do padroeiro da aldeia e da freguesia de São Pedro da Aldeia.
Através da Lei Estadual nº 2.335, de 27 de dezembro, de 1929, a Vila de São Pedro da Aldeia adquiriu foros de cidade.
Até 1922, o presidente da Câmara Municipal era quem exercia o poder executivo em São Pedro.
Conforme princípios jurídicos estabelecidos por Rui Barbosa. Em 14 de outubro de 1957, foi criada a Comarca de São Pedro da Aldeia, dando ao município status que faltava em sua independência político administrativa.



Dados Gerais:
  • Fundado em: 16/05/1617
  • Emancipação: 17/12/1892
  • Aniversário: 16/05
  • Padroeiro: São Pedro
  • Dia do Padroeiro: 29/06/2008
  • Origem do nome: O município de São Pedro da Aldeia recebeu este nome, pois a aldeia de São Pedro da Aldeia de Cabo Frio foi fundada no dia consagrado ao santo.
  • Atividades econômicas principais: Pesca Artesanal, Turismo e Comércio Local
Buscar Dados do município no IBGE no site:http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1
Informações Sócio-Econômicas
  • PIB a Preço de mercado corrente: R$ 566.572,00   (IBGE 2006);
  • PIB per capita   R$7.198,00
  • Rede Hospitalar: o município possui uma unidade hospitalar e 23 ambulatoriais (14 unidades de Estratégia da Família e nove unidades Básicas)
  • Bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC e Itaú.
  • Educação: 36 unidades escolares municipais, duas creches comunitárias municipais, dois núcleos de reforço escolar, um núcleo para alunos especiais, um Horto-Escola-Artesanal, uma Escola Municipal de Artes, uma Padaria-Escola, um centro de curso profissionalizante de inglês, espanhol e informática (CETEP), uma faculdade à distÂncia (CEDERJ); nove escolas estaduais e 16 escolas particulares de ensino fundamental e médio.
  • Telecomunicações: o sistema está ligado à rede da EMBRATEL, possibilitando ligações locais, DDD, DDI, terminais individuais e troncos PABX, transmissão de dados e telefonia celular.
  • Água: fornecida pela Concessionária de Serviços Públicos de Águas e Esgotos – Prolagos S/A.
  • Energia Elétrica: fornecida pela AMPLA, nas diversas tensões.
  • Portos: servido pelos portos do Rio de Janeiro (cargas em geral e containers) e Sepetiba (minério, containers e granéis), localizados a 142 km e 215 km, respectivamente.
  • Aeroportos: Aeroporto de Cabo Frio (passageiros e carga, a 15 km) Aeroporto Santos Dumont (doméstico a 144 Km) Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (passageiros e carga, a 152 km).
  • Rodovias: RJ-106 atravessa o município vindo de Iguaba Grande, em direção à Rio das Ostras e Macaé, a Via Lagos (Rio Bonito – São Pedro da Aldeia) e a RJ-140 que faz a ligação da sede com Cabo Frio e Arraial do Cabo.
Informações Geográficas:
  • Localização: Região da Costa do Sol
  • Área do Município: 340 km²
  • População: 75.869 (IBGE Contagem da População 2007)
  • Distâncias: Rio de Janeiro – 135 km
    São Paulo – 567 km
    Belo Horizonte – 474 km
  • Altitude: Máxima – 316m (Serra de Sapiatiba Mirim) Mínima – 15m (Sede municipal, altitude máxima, vindo a mínima a 2m)
  • Limites do Município: Norte – Araruama e Cabo Frio
    Sul – Lagoa de Araruama
    Leste – Cabo Frio
    Oeste – Iguaba Grande
  • Coordenadas Geográficas: Latitude – 22º 49′ S
    Longitude – 42º 06′ W Gr
  • Bioma: Mata Atlântica
Relevo: Circundando a Lagoa de Araruama, São Pedro da Aldeia apresenta um litoral caracterizado por pontas e enseadas. O solo é de formação calcária, com abundante presença do material conchífero. Parte do município encontra-se localizada na Serra de Sapiatiba, protegida pelo Decreto nº 15.136 de 20/07/1990 como uma Área de Proteção Ambiental, que apresenta, junto com o município de Iguaba, uma área de 6000 ha.
Vegetação: A vegetação apresenta as características da região da baixada litorânea, com incidência de árvores como Amarelo, Paineiras, Cambuinha, Maricá, Pau-Ferro, Sapucaia, Aroeira, Cajá-Mirim, Pau d’Alho, Sibipiruna, Jacarandá, Jequitibá, além de orquídeas, bromélias e plantas de uso medicinal.
Hidrografia: São Pedro apresenta rios, riachos e córregos, destacando-se: Rios Una, Paupicu, Ramalho, São Mateus, Cabista, Ubá, da Pedra, Iguaçaba, Flecheiras e Itai. Riachos: Cândido, Pereira e Tio Mariano. Córregos: Joaquim da Mota, Pau Rachado, Bogã, Retiro e Piripiri.
Clima: Tropical: Com índice de precipitação anual pouco acima de 1000 mm, sendo os meses de novembro a fevereiro os mais chuvosos. No período de inverno os níveis pluviométricos se reduzem bastante, sendo os meses de junho e julho mais secos. As médias de temperatura anual são altas e variam em torno de 24°C a 28°C. O inverno apresenta temperaturas amenas, com média das mínimas ficando entre 11°C a 16°C. Entretanto, o verão é quente, não raramente atingindo temperaturas superiores a 35°C.
Horas de sol: 12:40
Umidade relativa: 75 %
Precipitação Pluviométrica: 1000 mm/ano
Temperaturas: mínima – 20; máxima: 28; média: 24°C
Outras informações: São Pedro da Aldeia apresenta ventos predominantes de Nordeste, com velocidade máxima de 29 nós e mínima de 5 nós.
Pontos Turísticos
Base Aérea Naval
Criada em 1966 e localizada na cidade de São Pedro da Aldeia, Estado do Rio de Janeiro, a BAeNSPA é a única Base Aérea Naval da Marinha Brasileira. Dentre as suas inúmeras tarefas, destacam-se: prover todas as facilidades às Unidades Aéreas da MB e ao Centro de Instrução e Adestramento Aeronaval ; executar os serviços de manutenção e reparos de 2° e 3° escalões nas aeronaves e equipamentos de aviação da MB; prestar apoio aos funcionários civis e militares lotados no Complexo Aeronaval, inclusive seus dependentes, quanto ao pagamento, rancho, assistência social, jurídica, religiosa, médica e de saúde e prestar apoio à Estação de Rádio de Campos Novos e ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira. A BAeNSPA também é um órgão de execução e fiscalização do Serviço Militar e ainda dispõe de um aeródromo militar que, por força da legislação em vigor, funciona como aeródromo alternativo para o tráfego da área do Rio de Janeiro.
Casa da Flor
A Casa da Flor fica no alto de um outeiro, com uma escadaria de pedras irregulares, tem vários jarros de fores petrificadas cujas pétalas são formadas por cacos de pratos marcando os níveis da escada. As paredes da pequena construção são completamente cobertas de pedaços de coisas quebradas, formando flores, mosaicos e desenhos simétricos, compondo um bordado alucinante e barroco.
Construída durante décadas com o acúmulo de restos, como búzios, conchas e outros depósitos da lagoa, detritos industriais, pedaços de azulejos e faróis de automóveis, a Casa da Flor, nas palavras de Gabriel Joaquim dos Santos, artista negro e pobre, é uma casa feita de “cascos transformados em flor”
Cercando a habitação, um estranho muro levantado com pedaços de telhas, tijolos e potes de barro.
Flores e esculturas ponteiam este muro. Por um corredor, chega-se à porta de entrada. Dentro, se vê as paredes, todas preenchidas de enfeites, milhares de cacos coloridos aplicados, numa decoração luxuriante.
Em 1899, Benevuto Roque Joaquim dos Santos, ex-escravo, comprou uma propriedade de “550 braças de terra” em São Pedro, no distrito de Vinhateiro, no limite com o município de Cabo Frio. Com a mulher e os doze filhos fundou um lar. A família e os herdeiros viveram no local. Os homens trabalhando a terra, e as mulheres fazendo potes de barro para vender.
Um dos filhos de Benevuto, Gabriel Joaquim dos Santos, nascido em 13 de maio de 1892, em São Pedro da Aldeia, tinha a intuição, segundo ele, de que iria viver sozinho. Depois do trabalho inicial de construir sua casa, terminada a obra, veio-lhe, no ano de 1923, a idéia de enfeitar a casinha. Não tendo dinheiro, ele começou a fazê-lo com o refugo das construções e coisas quebradas encontradas no lixo.
Começando com o enfeite em formato de flor, que de tão estilizado e utilizado em outras partes da casa, acabaria dando o nome para ela.
Pessoas conhecidas e vizinhos passaram a colaborar com aquela arquitetura bizarra, como o próprio Gabriel dizia: “Era uma casa feita do nada”.
Com uma singular capacidade artística, a combinação dos elementos tem atraído curiosos e especialistas. Segundo o antropólogo Claude Lévi Strauss, a Casa da Flor é uma “bricolage”,operação que consiste em remendar coisas ou fazer objetos de outros objetos.
Com 92 anos, em 3 de março de 1985, o artista sonhador morreu. Com a sua morte, a Casa da Flor corria o risco de desaparecer, mas a persistência de outros homens, que também acreditam em sonhos a tem mantido viva. Já foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural da Secretaria de Ciência e Cultura do Estado do Rio de Janeiro (INEPAC).
Depois foi a vez da criação de uma sociedade civil, liderada pela professora Amélia Zaluar, para a preservação e divulgação da casa, com o nome de Sociedade de Amigos da Casa da Flor.
Talvez, a casa não passe de um sonho. Talvez seja como um corpo humano, dentro dela batendo o coração do homem simples que a ergueu. Por tudo isso, não há, os que ao visitarem, não se surpreendam com a sua simplicidade e beleza.
Em São Pedro, um filho de escravos fez erguer um museu, visto a capacidade do homem transformar pedras e Iixo nos mais belos ornamentos. Como mensagem Gabriel deixou sua casa, para todos os que ainda queiram sonhá-la.
Como Chegar a Casa da Flor
O acesso se fazsaindo da Praça Dr.Plínio de Assis Tavares, atravessando o Centro, pela RJ-140 (sentido Cabo Frio) até o km 6, dobrando a esquerda na estrada dos passageiros numa distância de 400 metros até chegar a ela.

Casa dos Azulejos
Esta casa construída pela família Feliciano Gonçalves Negreiro, no ano de 1847, fazendeiros da cidade, recebeu muitos ilustres visitantes entre eles os príncipes imperiais Isabel e Gaston de Orleans, o Conde d’Eu quando visitaram a Freguesia de São Pedro da Aldeia por volta do ano de 1868, alem de muito confortável chama atenção a sua fachada revestida de belos azulejos.
Capela de São Pedro
Localizada na Estrada do Porto, na Praia da Pitória, construída em terreno plano, convive com ela a paisagem que se incorpora ao seu redor; a praça Clíneo Guimarães, o Coreto e a Praia, formando um visual deslumbrante ao sabor dos ventos. Construída por volta de 1924, em terreno doado por Clíneo da Rocha, que participou da construção, que tem linhas simples sem estilo definido. Seu interior constitui se de um pequeno altar, com as imagens de São Pedro e de Nossa Senhora da Conceição, e o coro acima da porta frontal.
Igreja dos Jesuítas
Também no Centro, na Avenida Nilo Peçanha esquina com a rua João Martins temos a Igreja dos Jesuítas, que é uma das mais antigas do País, cuja conclusão das obras data de 1783. Da Matriz fazem parte de um conjunto arquitetônico no qual estão incluídos o antigo convento, atual salão paroquial e o cemitério da irmandade. É uma construção em pedras, cal e óleo de baleia, com paredes de 70 cm de espessura, tem uma planta retangular, telhado sem forro com telhas típicas do período colonial, torre sineira, coro, batistério e capela mor dentre muitos outros atrativos.
Canhão do Século XVI
Após uma ação guerreira de Constantino de Menelau, o capitão-mor do Rio de Janeiro, contra piratas franceses que tencionavam alojar se em Cabo Frio definitivamente decidiu que: Reconquistada a terra e fundada a cidade de Cabo Frio desde logo, seu Capitão e as autoridades, chegaram á conclusão de que o único meio de garantir a sua existência, salvaguardando-a de futuros ataques de corsários, seria defendê-la e ampará-la com duas aldeias de índios e canhões segundo recomendação feita a El Rei por Martim de Sá.
Recomendação acatada pelo capitão-mor de Cabo Frio Estevan Gomes que imediatamente mandou instalar na Aldeia de São Pedro de Cabo Frio um canhão na Praia do Sudoeste, em um lugar que posteriormente veio ser chamado de Ponta da Peça, exatamente por essa instalação, e tinha como função sinalizar ao Forte São Mateus a aproximação de invasores. Atualmente encontra-se exposto Praça Dr. Plínio de Assis Tavares.
Festas Populares e Atrações
Além das festas religiosas mais frequentes, realizadas pelas igrejas locais, São Pedro da Aldeia reúne anualmente sua população, visitantes, autoridades e convidados, no mês de maio, para comemorar sua fundação, no dia 16. Com duração variando entre três e cinco dias, dividindo-se em quatro ruas, a saber; Av. Getúlio Vargas, Av. São Pedro, Rua João Martins e Rua Agenor Santos. As inúmeras atividades da festa incluem hasteamento do Pavilhão Nacional, missa solene, alvorada, banda de música, desfile cívico-militar, inaugurações, sessão solene da Câmara Municipal, shows e competições esportivas. Tudo em clima de muita alegria, claro.
São Pedro, padroeiro da cidade e dos pescadores, é motivo de duas das principais festas religiosas do município. Seu dia é 29 de junho, mas as festas duram de dois a três dias, incluindo o fim de semana mais próximo. A mais tradicional delas acontece na Igreja dos Jesuítas (Matriz) e suas imediações. Começa no dia 28, com a procissão do mastro prossegue no dia 29, com missa solene e procissão marítima. Partindo da Praia da Pitória, embarcações transportam o Santo Padroeiro, ao som de cânticos religiosos e em meio a fogos de artifício, até a Praia de São Pedro, onde ancoram. Dali, o cortejo segue à pé até a Igreja Matriz.
Paralelamente ocorrem inúmeras atividades, como batizados, shows, leilão de gado e venda de comidas e bebidas. Outra festa, também homenageando São Pedro, acontece anualmente, no último fim de semana de julho, na Capela de São Pedro, no Porto da Aldeia, a 1,6 km da sede. Uma procissão, por terra, percorre da Praia da Pitória até a Praia de Palmiro, enquanto acontecem gincanas, atividades esportivas, leilão de prendas, além da venda de comidas e bebidas típicas em barracas armadas nas mediações da capela.
Três outros santos São Sebastião, Santo Antônio e a Imaculada Nossa Senhora da Conceição também recebem homenagens e têm seus dias festejados pela população devota de São Pedro da Aldeia.
São Sebastião é festejado em sua Capela, no Porto da Aldeia, no dia 20 de janeiro, com procissão, gincanas, queima de fogos de artifício e barracas vendendo comidas e bebidas.
Situada a 2 km da sede, chega-se á Capela de São Sebastião pegando-se a Av. Getúlio Vargas, a Estrada do Porto (SP-0I) por 1 km, virando à direita na Rua da Pitória, seguindo nesta 500 metros e dobrando à esquerda, na Rua São Sebastião, onde acontece a festa.
A Igreja de Santo Antônio faz sua festa sempre no dia 13 de junho ou no fim de semana mais próximo, numa tradição iniciada há 30 anos por pescadores devotos do santo, junto com a comunidade. As comemorações têm início na véspera, com o levantamento de mastro com a imagem de Santo Antônio. Na manhã seguinte, a população acorda ao som da banda de música local e da queima de fogos de artifício. Distante 8 km do centro da Sede, a Igreja de Santo Antônio fica na Rua Júlio Cirilo dos Santos, Baixo Grande. Percorre-se cerca de 7 km da RJ 140, direção Cabo Frio; dobra-se à direita, na Rua Afonso Faria, indo até o centro de Baixo Grande, onde situa-se a Rua Júlio Cirilo.
No dia 1º de maio, na localidade da Cruz, situada na Rua do Fogo, junto á Capela de São José, realiza-se uma festa popular constando de shows, rodeios, barracas com pratos típicos etc.
AIém de representar importante contribuição à economia do município, a indústria salineira de São Pedro da Aldeia atrai imediatamente a atenção de visitante que chega ao local, pela beleza e peculiaridade da paisagem, com o salineiro, os moinhos de vento e os tabuleiros brancos e quadriculados onde se faz a secagem, a extração propriamente dita do mineral.
O processo geralmente utilizado é primitivo. Os tradicionais cata ventos, impulsionados pelo vento constante, acionam uma bomba hidráulica que, aspirando a água da Lagoa de Araruama, lança-a nas valetas conduzindo-a aos tanques de evaporação. Após a cristalização do sal, faz-se a retirada deste, seguindo para o beneficiamento.


Lagoa de Araruama 
A Lagoa de Araruama está localizada entre a Restinga de Massambaba e a Rodovia Amaral Peixoto (KM 106),  banhando vários municípios como, Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Cabo Frio. É considerada a segunda melhor raia do mundo para a prática de esportes náuticos.
Praia Linda.Praia Linda 
Possui uma orla arborizada com coqueiros, casuarinas e flamboyants, e águas mornas, transparentes, boa para banhos.
Praia de São Pedro 
Localizada na  entrada da cidade, sendo passagem obrigatória para os visitantes.
Praia do Arrastão 
Conhecida também como Praia do Miranda, começa no bairro do Porto da Aldeia e termina no Poço Fundo. Sendo dividida em duas partes, uma com águas calmas, boa para o banho e uma outra parte sendo muito procurada para a pesca de rede e linha.
Praia da Pitória.Praia da Pitória 
Praia de enseada ótima para banhos.
Praia do Sudoeste 
Diferencia-se das outras praias pela maior profundidade, sendo a praia mais freqüentada da Ponta Grossa.
Praia Balneário de São Pedro 
Localizada próxima da  Ilha de Chico Marques, possui águas mornas, transparentes e boa para banhos, sendo uma das praias mais movimenta da cidade.
Praia da Baleia.Praia da Baleia 
O nome desta praia é referente à Pedra da Baleia, que tem o formato de baleia, sendo pouco freqüentada para banho, devido a existência de grande número de barcos pesqueiros. Possui vários bares, sendo um bom local para comer frutos do mar.
Praia de Carapebas 
Pequena praia de águas calmas, sendo localizada entre as cidades de Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia.
Praia da Tereza 
Enseada tranqüila, com água transparente e morna, boa para esportes a vela, caiaque e windsurfe.
Praia do Sol.Praia do Sol 
Praia com água calma e propícia a banhos, sendo também para a pesca de arrastão.
Praia dos Pescadores 
É uma  praia pouco freqüentada para banho, pela dificuldade de acesso. À noite os pescadores do local vendem peixe e camarão as pessoas que ali se encontram.
Praia da Ponta da Areia 
Localizada junto ao loteamento Ponta da Areia, sendo muito freqüentada.
Praia do Mossoró 
Praia de difícil acesso e boa para pesca. No lado esquerdo da praia avista-se o Cordão dos Passarinhos, uma ponta que avança para dentro da Lagoa de Araruama.
Praia Brava 
Praia de enseada tendo um trecho bom para banho e outro impróprio devido à grande quantidade de lodo.
Praia do Nordeste ou Praia do Boqueirão 
Praia pouco visitada em virtude do difícil acesso, próxima da Ilha dos Pombos, que tem uma pequena praia muito freqüentada.
Praia Linda (do Baixo Grande) 
É a última praia de São Pedro da Aldeia, fazendo limite com Cabo Frio, sendo apropriada para banho.

praias de são pedro da aldeia



































praias de são pedro da aldeia

Nenhum comentário:

Postar um comentário